
Sempre achei que fosse morrer jovem. Jovem assim, antes dos trinta. Desde pequena tinha essa sensação.
Mas na verdade, agora analisando a fundo,acho que me referia a outro tipo de morte.
Não era a morte do meu corpo que ia chegar logo.
Era a morte daquela pessoa que eu era.
A transformação que acaba matando coisas boas, sabe?
Porque pra gente crescer tem que ficar mais duro, cheio de amarras, cascas, proteções. Quase um monstrinho.
Acho que antes de tudo ( das contas, dos salários, da independência, da plena noção do perigo) eu era alguém bem melhor.
Mais leve. Mais simples. Mais natural.
Menos morta.